129

13Mar08

Eu gosto de dias de chuva. De chuvisco. Dias cinza. Dias assim
não impõem nenhum compromisso. Por outro lado, dias de sol obrigam a sair de casa. A ver o mundo. A fazer alguma coisa memorável. Como se não fosse memorável ficar jogado na cama vendo um vídeo. Ou pegar uma estrada sob tempestade.

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Contardo Caligaris fala hoje sobre a crise com a Espanha. Cita Focault. Uma boa idéia, essa de que a globalização, o tráfego de dinheiros, criou restrições para o tráfego de pessoas. Cada um defendendo suas fronteiras de turistas “indesejáveis”. O sem-destinos. Me ocorre que existem diversos níveis restritivos, que nos impedem de viver uma vida de aventuras. Não apenas as fronteiras físicas. Outros limites impedem de simplesmente colocar uma mochila nas costas e seguir viagem. O primeiro é o individual, o moral. Depois vem o familiar. Aí vem o profissional. E finalmente, o das fronteiras. Todos esses limites dificultam a sua saída e sua entrada, se não houver uma boa justificativa, para uma vida menos ordinária.

Ainda estamos falando de viagens?



3 Responses to “129”  

  1. Lindo ! mas, se serve de consolo, pelo menos ainda não inventaram barreiras para nossas viagens na cabeça, já que nem sempre podemos ir aonde queremos.

  2. e são exatamente os dias cinzas que me fazem repensar as decisões que tomei…
    Ju Fregona

  3. 3 Leandro Alvarenga

    Gosto muito de dias de chuva – confesso, é quando consigo passar horas na frente do meu caderninho esboçando a vida, sem me sentir culpado por nada.

    Sobre a segunda parte do texto, bom…até certo ponto eu concordo, mas a vida ordinária é uma escolha fácil, ao menos para nós, 5% da população, principalmente em se tratando de fronteiras. Estudo comunicação – na itália, onde ganhei uma bolsa (e portanto mesmo sendo filho de 5% da população, não pertenço mais a este grupo) e me mantenho sozinho.

    Me deram também uma bolsa de estudos de um ano na Australia, para a faculdade de comunicação em 2008/2009, onde pretendo continuar me a me manter sozinho já que minha família cada vez menos pertence aos 5% e passa aos 40% da população.

    A mochila nas minhas costas já conta mais bandeiras custuradas do que os dedos das mãos e sinceramente a vida só é boa por causa dos problemas e das barreiras, pois a aventura consiste em supera-las, pelo menos acho isso do alto dos meus parcos 21 anos recém completados.

    Admito, falsa modéstia me incomoda:
    Não, não sou melhor que os outros – mas certamente sou menos ordinário.

    E sobre os 7 estudantes da FAAP do post 131 – se quiser conhecer um criativo que não vem da FAAP, que odeia a extensão .PPT e que acha que todo briefing tinha que ser acompanhado de uma porção de filé com fritas…então me manda um e-mail, nem que seja pra falar mal da vida alheia.

    Leandro

    woodx86@gmail.com


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