131

02Abr08

“Você não pode perguntar ao consumidor o que ele quer, se você pretende fazer produtos inovadores”. Com essa frase, Steve Jobs explica porque a Apple não faz pesquisas. Se eu vou criar, vou ter que surpreender. Serve para a publicidade também. Entrar no radar, não é exatamente isso? Pegar o sujeito desprevenido, com algo inesperado. De que adianta, então, pesquisar? Vou mais longe: eu nunca li um bom livro sobre processo criativo. Alias, nunca li nenhum livro sobre o processo criativo. Ouvi dizer, por cima, que existem algumas técnicas, para arrancar do cérebro, sinapses criativas. Brainstorm, reverse brainstorm, os chapéus. Sei lá. Ignoro todas. No passado tinha medo de assumir. Mas agora, pra que continuar escondendo? Não acho que vou muito mais longe do que já fui na minha carreira e confesso, sem falsa modesta, que estou feliz onde cheguei. Então afirmo que você pode ser um profissional de criação sem conhecer estas besteiras. E já que esta é uma hora de confessar, tenho que dizer que nunca vi uma única boa idéia ser criada num power point. Explico: uma vez, numa convenção de uma grande agência na qual trabalhei, em Miami, passamos dois dias assistindo a apresentações de power point. Cansado, perguntei ao meu diretor de criação “escuta…e quando é que vamos ver filmes, heim?”. Ele respondeu, triste, “Não vamos. Publicidade não se faz mais com filmes. Se faz com Power Point”. É verdade. Outro dia, na agência, recebi a visita de 7 alunos da FAAP. Só um queria ser criativo. Quatro queriam ser Planejamento. E power point é a arma de um bom planejamento. Hoje, ser planejamento é decidir a campanha. É decidir o que a criação vai criar, antes mesmo do primeiro rough. Uma pena isso. É pior, ainda, do que a Era das Pesquisas, onde você perguntava ao consumidor como ele preferia ser surpreendido. Uma pena porque o Planejamento não usa só o power point, mas também usa a própria pesquisa. Estamos, pois, cercados. Sou de uma época em que a Comunicação, nas faculdades, não era muito disputada. Na verdade, ia trabalhar em Propaganda quem tinha preguiça de estudar Química, Física, Biologia. Minha geração foi trabalhar em Propaganda exatamente porque não precisava ver as tabelas e gráficos que o Planejamento usa para embasar seus dogmas. Fomos trabalhar em Propaganda, porque eramos bons de papo-de-bar, os tais brainstorm. Nesses papos, surgiam idéias engraçadas, que faziam o garçom ou a mesa do lado rir. Papos que, se veiculados, poderiam vender produtos. É a velha e boa risada espontânea [onde foi parar?], que tem feito tanta falta, na televisão e na Criação das agências. Definitivamente não da para criar piadas no power point.



40 Responses to “131”  

  1. 1 Raphael

    Ficou artificial mesmo. Porque de alguma forma precisavam ensinar aos universitários, que entravam sem bagagem alguma, um jeito de ser criativo. Mas como ensinar algo que se faz naturalmente?

  2. 2 Roberta Carusi

    Se você for da Criação e passar pro Planejamento, fazendo com que uma coisa se some à outra, dá. Dá, sim! Meus power points já arrancaram risadas e não é porque estavam mal feitos, ahahah, era intencional mesmo. Um dia você vai entender o que é um redator/planejamento. É o meio do caminho e, desculpa, o melhor dos mundos. Crio a estratégia sem usar excel e faço o conceito junto com a Criação, sem power point. Vira trinca de Criação. E gosto quando melhoram. Não. Você não vai entender. Já tivemos esse diálogo. Você vê esse “meio do caminho” como alguém que não faz bem nem uma coisa nem outra. Eu vejo como alguém que faz bem as duas coisas. Sim, existe.

  3. 3 mneto

    O meio termo, o meio do caminho, a meia boca existe em algumas agências. É uma aberração maior ainda. Não vale nem a pena discutir. Não está nem lá nem cá. É só uma estratégia de algumas agências que preferem pagar um e levar dois. O post não é sobre isso. O post é sobre a hegemonia do Planejamento sobre a Criação. Sobre a falta de espontaneidade, sobre engessar, sobre essa nova etapa que existe entre o briefing e o que é criado. Uma espécie de Pós-Briefing-pré-criado que nasce no power point. A sua frase “E gosto quando melhoram” já diz tudo. É por isso que viramos um país onde a publicidade é criada burocraticamente. É por isso que estamos tomando pau dos argentinos.

  4. 4 Roberta Carusi

    Cara… não dá pra acreditar!

  5. 5 Clovis

    Eu, como um criativo que (gracas aos céus) ainda pegou um pouco da época romântica do negócio, concordo totalmente. Você disse tudo, Neto. Eu aprendi a gostar de propaganda e larguei uma “sólida carreira” numa empresa, porque me apaixonei por idéias simples que me fizeram rir, ou pelo menos sorrir.

    Eu quis saber que tipo de profissional fazia aquilo, quem era esse tipo de cara. Não sabia que existiam “publicitários”. Na minha ingenuidade, cheguei a pensar que quem criava os outdoors (placas de rua, na minha inocência) era a Novelli, porque eu via a plaquinha da empresa em cima deles. Eu tinha que trabalhar naquela tal de Novelli, emocionar e tal.

    Bem, você sabe quem me deu a primeira chance. E com o passar dos anos, eu presenciei a coisa toda mudar, ficar gradativamente artificial, obediente em excesso aos clientes, às pesquisas, ao atendimento, ao planejamento e etc. Infelizmente perdeu a graça e a espontaneidade. Mas se eu ainda estou nesse mercado, é porque ainda consigo fazer coisas que, eventualmente emocionam, fazem rir, ou sorrir.

    Eu, pessoalmente, não suporto mais ver projetos em PPT, embora reconheça que há pessoas que o usam com propriedade e alguma criatividade.

  6. 6 Tomás Vinhal

    Concordo com você. De fato, você não vai muito mais longe na sua carreira…

  7. 7 Thais

    Anos de piadas sem resultado obrigaram as agências a criarem o planejamento.

    Fica muito simplista colocar a culpa disso em qualquer uma das partes, sendo que na verdade é a propria evolução do negócio.

    Realmente deve dar saudade, mas não cabe a nós reclamar, pelo amor de Deus…

  8. 8 Vini Zanatta

    Imagino que a Bullet não deve ter bons planejadores.

    E imagino que trabalhar com marketing direto e fazer alguma coisa boa seja ainda mais difícil.

    Talvez isso explique a sua revolta.

    E só uma última pergunta: pra vocês, publicidade é fazer as pessoas rirem?

  9. A Bullet não é uma agência de Marketing Direto.
    A Bullet tem ótimos planejadores.
    E eles fazem exatamente isso: planejamento.
    Acho bacana a reação ao post.
    Vários planejadores defendendo a categoria.
    Bacana também a reação contrária ao uso do humor.
    Explica tudo.

  10. 10 Stealth

    pô, neto, que reação mais mal humorada…
    :-)

    acho que planejamento bom é aquele que ajuda o produto criativo de uma marca a ser melhor.

    e criação ruim é aquela que não ajuda a resolver o problema de comunicação que uma marca tem.

    não há planejamento que salve criação ruim. nem criação que dependa de planejamento.

    mas que uma criação tem mais chance de ser boa com planejamento bom, ah, isso tem.

  11. stealth

    concordo com você.

    mas sou velho e ranzinza.

  12. 12 r.

    parece que eu to em 1986…. afff

  13. 13 Juliana

    Não adianta reclamar, my friend: o mundo é assim worldwide – aliás, é muita cara de pau afirmar que a criação argentina é melhor que a nossa porque eles não têm planejamento nem pesquisa…. foi isso o que você quis dizer? Ficou maluco? A criação argentina é melhor porque é melhor mesmo. E ponto. É superconceitual (uma palavra que você deve odiar), muito bem produzida… Enfim, sou planejamento de uma agência que tem muitas marcas legais, e gostaria muito de ter este poder todo que você afirma. Mas não tenho. Em pouquíssimas agências brasileiras o planejamento tem este poder. É um saco brifar criativo. E falar do consumidor, então? Os caras querem morrer. Tá na hora de vocês se ligarem e lembrarem que o trabalho de vocês é evnder um produto para alguém. Vamos evoluir, chega deste papo de “velhos tempos”. Que deprê!

  14. Vamos lá.
    Eu nunca disse que a publicidade argentina é melhor do que a nossa porque não tem planejamento ou pesquisa.
    É mais criativa, por qualquer critério, inclusive pelo mais recente Gunn Report.
    E o é porque planejamento e pesquisa, lá, não são utilizadas burocraticamente, como por aqui.
    Então a criação pode criar.
    As campanhas argentinas são o que são, porque o consumidor médio argentino não precisa de tudo tão explicadinho.
    Nosso consumidor também não precisa.
    Mas é difícil provar, no país do varejo.
    No país que definiu que classe C não pensa.
    (No painel que moderei no Proxxima, o Leonardo Birro da Skol deu uma bela demonstração de como é possível entender melhor esse consumidor. Um ótimo exemplo de como o bom Planejamento pode colaborar. Saindo do PPT e botando a mão na massa para prover inputs relevantes).
    E não me venha com essa pataquada de “superconceitual”. Isso é um sofisma. Como pedir que a campanha seja “impactante”.
    Isso não soma nada ao trabalho.
    São só memes-comodity.
    Planejamento criativo faz sentido nas campanhas globais, por exemplo, Axe ou Dove.
    Aí chega tudo mastigado por aqui.
    E deveria ser a hora de criar.
    Mas não é.
    Ao longo dos anos, o nosso planejamento assumiu a função de mastigar tudo de novo.
    Com tudo devidamente planejado e re-planejado, pesquisado e definido, [boa parte do] planejamento, aqui, ao invés de somar, faz isso aí que você afirmou: brifa criativos.
    Deve ser mesmo um saco.

  15. Neto, agora eu entendo pq vc nao quer escrever no coxacreme :-D

    Vamos lá, o que eu acho da polemica.

    Acho que tem muito corporativismo ai. No blog do GP é comum aparecer posts fazendo criticas similares. Teve aquele incrivel video de focus group da criacao da roda que foi super elogiado. E’ uma critica de como as pesquisas estao sendo levadas ao pé da letra.

    O Tomás Vinhal apenas provou o post do Neto. Ao inves de vir com os argumentos do planejamento, ele usou uma “piadinha” para provar seu ponto.

    A critica do Neto foi muito maior ao uso do que representa o “PPT” hoje do que ao planejamento em si. Nem planejamento nem a Microsoft deveriam ficar bravos.

    Leiam o post de hoje do Blog do GP, tá la:

    “Mas o que eu tenho escutado, visto e aprendido por aqui é que uma boa apresentação – e às vezes nem tanto a melhor estratégia ou trabalho criativo – é a que ganha uma concorrência.”

    Na minha leitura, de quem conhece o Neto e sabe que ele valoriza o planejamento, o post deveria ser lido como uma critica ao engessamento da propaganda atual. De um pais cujo maior anunciante é um varejista que nao se preocupa com marca.

    O que faltou para o Neto foi ter levado um bom flame, o que ele levou agora. Agora ele amadurece. No proximo post, ele vai repensar muito mais suas palavras, para explicar exatamente o que ele pensa, e assim nao agredir os planejadores, ou os jornalistas ou os criativos ou os midias ou os anunciantes. Vai deixar de colocar o que acha, para não ofender alguns, não levantar questionamentos tao inflamados.

    Tirar essa expontainedade do Neto vai corrigir suas falhas de linguagem, fazer ele nao correr os riscos de questionar o que nao pode ser questionado.

    Assim que corrigirmos isso aí é só aumentar o logo do blog. E pronto, teremos um Neto assim, meia boca, mas muito bem suportado pelo ppt que apresenta seu blog.

  16. Cara, acho sua reação válida mas muito extrema.
    Eu sou estudante da faap e quero fazer criação, hehe, e concordo com você quando cita as restrições impostas àqueles que querem criar. No entanto, se desconsiderarmos as metas do cliente, assim como o planejamento da campanha, que é muito menos restritivo do que o atendimento, fica difícil definir a meta.

    Talvez steve jobs não confie nas pesquisas por ter um embasamento muito bom de marca e possua a melhor equipe do mundo, mas nem toda empresa é a apple. É lógico que nenhum criativo quer pitacos no seu trampo, e talvez esses limites sejam um pouco alienadores, de fato, mas a tendência é cada vez mais piorar, além disso acho todas as ferramentas de criação válidas, pois não são soluções, mas caminhos… Aliás, um briefing bem feito é um ótimo adianto.

    Se continuarmos pensando como em 60 (tipo a série Mad Men), o mercado vai te ultrapassar e fica difícil de alcançá-lo novamente…

    http://www.pontodcom.blogspot.com/

  17. eu amo o cava. hahaha.

  18. Vamos dividir em bullets, pq fica mais fácil de entender :)

    - Criação sem planejamento é arte, e arte não vende nada, a não ser ela mesma.
    - Planejar não significa podar nenhuma idéia, mas sim nortear a criação para que ela atenda a um objetivo.
    - Se você só sabe desenhar e não consegue planejar você é mão-de-obra.
    - O planejamento mastiga tudo pq a maioria dos “criativos” se acha muito bom e esqueçe que o fato dele se achar o máximo não significa que ele é.
    - Temos que explicar demais tudo pq quem paga a conta, o cliente, esse sim é burro como uma porta.
    - A publicidade argentina é melhor, pq argentino apesar de tudo que se diz é menos ignorante que brasileiro, que só assiste novela e futebol.
    - Sim publicidade é sobre fazer rir, ou chorar, se não fizer nenhum dos 2 não foi tão eficiente quento poderai ser.

    Ou seja, por causa de criativos que acham que só devem saber fazer desenho e está ótimo é necessário que os planejadores façam o trabalho de pensar por eles.

    E pra você não tentar arrumar uma desculpa, eu não sou do planejamento, ou sou da criação, e já trabalhei com um monte de criativos que se acham o máximo e são incapazes de fazer um cálculo de porcentagem. Sim isso é burrice, um tipo específico de burrice, da qual vc não pode se orgulhar.

    Se você é criativo e consegue pensar nos desdobramentos da sua peça, criar uma mecânica de interação entre mídia convencional, digital e no media promoções e afins, parabéns isso de certa forma é planejar, e você é a tal aberração “meia-boca” que citou. se você não consegue fazer isso acredite, voc~e não é tão genial como imagina.

  19. Ricardo,
    Tem muita coisa que concordo no seu comentário.
    Alias, só não entendi os dois últimos parágrafos.
    Pena que, como é comum no flamming, você, em determinado ponto, passe a agredir gratuitamente, usando uma argumentação que nada tem a ver com o que eu escrevi.
    (cálculo de porcentagem? quem falou nisso? quem disse que é aceitável que qualquer profissional, por mais criativo que seja, esteja liberado da obrigação básica de conhecer matemática?)
    E o “você” do último parágrafo sou eu? Ou é um “você” genérico? Se sou eu, sim consigo pensar em desdobramentos. E não, não é planejar.
    É criar.
    A meia-boca a qual me referi, é o golpe de algumas agências que, para pagar menos para seus profissionais, os faz trabalhar em duas funções. Criando a ilusão de que são Planejadores e Redatores.
    É um engano.
    Não são.
    Fora dessas agências terão dificuldade de arrumar emprego em qualquer um desses cargos. E nessas agências, vão ganhar menos do que merecem.
    Finalmente, eu não me “imagino” genial.
    Eu só acho que depois de 26 anos trabalhando nesse negócio, depois de ser sócio de um dos maiores grupos de comunicação do mundo e viver exatamente este tipo de problema, depois de construir minha agência e mante-la saudável, estável e premiada por 20 anos, posso me dar ao luxo de acreditar naquilo que eu acredito e até de ficar feliz ao ver um monte de gente jovem, motivada e cheia de crenças, que – porque não? – também são absolutamente aceitáveis.

  20. 21 marco

    ta confundindo atendimento com planejamento….ou vc só trabalhou em lugares em q o planejamento é um braço disforme do atendimento, que resolve burocracia.

    Há lugares em que o planejamento é muito criativo, tem peso na agencia e no cliente e é respeitado pela criação (e vice-versa). São poucos, mas há.

  21. Neto! onde eu devo assinar?
    concordo com cada vírgula do seu post. Parabéns

  22. Acabei de ouvir o Braincast 12. E acho que vc não devia moderar o que vc pensa nesse blog não, é isso que faz dele (o blog) tão autêntico…. :)

    Abraços!

  23. 24 Tomás Vinhal

    Pessoal, só acho que um bom planejamento dá asas para a criação, ao contrário de engessá-la. Não sei qual a referência de planejamento que o Neto tem, mas eu trabalho em uma agência, que também é de um grupo de comunicação mundial e que, graças a planejamento e criação, trabalhando juntos, muitos frutos surgiram daí.

    Aqui, a criação não reclama de planejamento e vice-versa. Eu concordo com ele com relação ao mal planejamento. O mal planejamento, pior do que engessar a criação, ele a torna superficial e pouco eficaz. Agora uma boa equipe de atendimento+planejamento+criação+mídia podem gerar campanhas maravilhosas e extremamente vendedoras.

    Ouvi o Nizan falar uma coisa esses dias. Sei que ele tem seus desafetos e seus admiradores e eu não me encaixo em nenhum dos dois mundos, mas ele disse uma coisa que achei verdadeira: o futuro está no planejamento porque ele consegue capturar o que acontece no mundo. Ele funciona de fora para dentro. Diferente do criador, que funciona de dentro para a fora.

    Isso não quer dizer um bando de criadores sem emprego daqui a 10 anos, mas sim, que uma coisa não funciona sem a outra. Não existe o futuro planejador, sem o passado criador. Eles se complementam e representam uma evolução do negócio. O planejamento embasa a criação que digere e devolve a arte que, mais do que arte, tem que ser vendedora.

    E ganhar um monte de prêmios vai deixar a estante linda, mas não é garantia de resultado para o cliente. Não podemos esquecer que antes de artistas, somos prestadores de serviços.

    O passado devia ser lindo mesmo, você tinha um grupinho de empresas que controlavam o mercado todo, logo, a comunicação podia fazer artes maravilhosas, ganhar Cannes e parar por aí. Hoje vivemos numa competição acirrada com produtos complexos sendo tratados como commodities pelos consumidores e fazer anúncios com sacadas geniais não garantem aumento de share. Precisamos sair do Macintosh, e quem faz isso é o planejamento.

    PS.: Sobre o comentário do Ricardo e a resposta do Neto; convergência entre mídias e ações que se integram é papel do planejamento, da criação e da mídia. Não é de ninguém especificamente, mas de todos. A idéia pode surgir de qualquer canto da agência e não obrigatoriamente da mesa do criador.

    Não quero discutir com ninguém nem diminuir a imagem de ninguém, mas só mostrar que todas essas áreas são extremamente importantes e caminham juntas. Se elas competirem, quem perde é todo mundo, inclusive o cliente que paga caro pela campanha.

  24. Neto, quando entrei na faculdade de comunicação, pensava que ia ser criativo. Os primeiros meses confirmaram minha expectativa, afinal, ao me comparar com meus colegas me considerava mais culto, engraçado, informadp e fuçador que eles, sei que isso pode parecer nem um pouco modesto, mas de fato (até hoje), isso é real.

    Mas já na própria faculdade (ESPM) senti um certo ‘deixa disso’ por parte dos professores ‘a área é difícil, não paga bem, é restrita, tem que ser bom demais, talento nato’ e pela instituição (o curso de criação é fraquinho). Comecei a acompanhar os eventos do GP e vi que nem tudo estava perdido: gostei da metodologia apresentada (isso que eles mostram funciona!) e percebi que conseguiria tocar aquilo (fazer ppts e pesquisa não é difícil) enfim, decidi: essa é a área.

    De lá pra cá passaram-se alguns anos, e toda minha experiência em agência foi (e é) em planejamento. Tem trabalhos que me orgulho de ter feito, alguns nem tanto. Vejo que o ppt, sim, ele mesmo sufoca o planejamento: mostrar concorrências, briefings e campanhas no ppt é chato: sua natureza é estática, chata. Porque não são criados vídeos, ou algo animado, algo que prenda a atenção de maneira decente? Isso é um ponto, mas acho que não para aí.

    Por que continuamos colocando tanta informação, tanta análise no planejamento? Embasar, embasar, para ficar claro e explicar, faz sentido, mas acho que não precisa tanto disso.

    Mas talvez o principal ponto seja esse: por que os departamentos se fecham tanto, por que só o planejamento tem que planejar e só a criação tem que criar? Quem sabe um redator ou um diretor de arte pode dar jeito numa pesquisa de maneira mais prática do que um planejador, do mesmo modo em que um planejador pode criar uma chamada e um roteiro? Quem sabe? Se conhecer mais, se virar mais, se a arma do planejamento é o ppt, a da criação é o photoshop e o ai. Que merda isso, desse jeito vai continuar a mesma merda, cada um na sua mesinha fazendo seu trabalhozinho, reclamando do que não aconteceu e poderia ser feito. Colaboradores, cadê?

    Trabalho numa agência criativa, que manda bem nessas duas áreas, mas penso que poderia ser mais se deixassemos de lado essa preguiça, barreira e nossas armas. Vai ver, foi isso que os hermanos fizeram, afinal, passaram por um crise foda e escambau. Nada vem por acaso, nada. E nada é tão difícil e imutável também.

  25. 26 Murilo

    Tem post sobre este post no blog do grupo de planejamento: http://www.grupodeplanejamento.com.br

  26. Pô Neto, que polêmica bacana essa! Essa discussão é muito boa. Eu fiquei com vontade de me manifestar só para falar sobre algumas coisas em que eu acredito. A primeira delas é que eu acho que o mercado tem e vai continuar tendo espaço (bastante) para todo tipo de profissional – para o planejador “bullshiteiro” e para o criativo que ainda vive em um passado glamouroso em que era mesmo mais difícil errar, até porque qualquer “risada” realmente gerava resultado. Aliás, vamos combinar que tá cheio de cliente por aí remunerando isso muito bem, não tá? Mas eu acredito em uma habilidade que deverá ser imperativa nas agências do futuro – nas daqui ou nas argentinas: a habilidade de transformar inteligência em mágica. E acho que a fórmula é simples de entender, mas muito complicada de fazer: inteligência é a capacidade de ver além e de sintetizar um caminho em um único parágrafo, sem enrrolação. Mágica é a tarefa de elevar esse parágrafo a uma relevância que transcenda a forma como a idéia irá ganhar os canais. E por último, como eu também quero um dia poder assumir que cheguei onde eu queria, tenho tentado ser um planejador mais mágico e menos “inteligente”.

  27. Fabiano

    Fiquei preocupado de ter soado pretensioso.
    Não disse exatamente que “cheguei onde queria”.
    Só que acho que não devo ir muito mais longe, considerando que tenho minha agência, com quarenta e poucos anos…sei lá…daqui deve ser ladeira a baixo, não? :-)
    Enfim…
    De qualquer forma, esse post já foi bastante comentado e acho que boa parte do que eu disse foi ou compreendido, ou distorcido. Então fico por aqui.
    Valeu a participação :-)

  28. 29 André Gonçalves

    Acho que quem não entendeu o texto deve ter sentido falta do power point explicando tudo.

  29. 30 Plênir da Silva Steel

    É muito triste realmente ter que mostrar em 18 slides que A+B = AB e naõ pode ser BA porque estamos falando de A+B que só pode ser AB. E mais 16 slides pra mostrar que C não é o perfil a ser usado.

    E não deve ser fácil fazer isso por anos, anos e anos. Com poucos anos ja estou quase desistindo dessa vida de plêêêêner.

    Mas mais triste que fazer isso descontente, é fazer isso descontente e falar que faz outra coisa beeeeem mais cool, legal e modernosa (por favor, não é seu caso Neto, mas você sabe que isso é o que mais acontece).

    Quero ser cool e ter ideias boas, solucionadoras e criativas sem precisar usar a camiseta do protocolo de Kyoto e armação de óculos colorida.

    Eu sou planejamento, quero ser parceiro do cliente, estar junto com ele, caminhando em sinergia, mas nao quero ser uma extensão do depto de marketing dele não.

    Quero trabalhar comunicação, estratégia de comunicação. Quero trabalhar com aquele planejamento criativo e brihante, que me venderam a imagem nos eventos do GP, no Bootcamp. Quero conhecer a parte legal que me falaram que tinha e não de bullshitagem sessions everyday.

  30. Respondendo com um delay brabo.

    O VOCÊ é um você genérico. Na verdade quase um “você que está lendo esse comentário”.

    Na verdade o comentário foi uma crítica não a você em específico mas ao criativo que ignora o planejamento. Assim como o planejamento que ignora a criação.

    É isso. :)

  31. Acho que toda essa discussão causada por uma afirmação burra é o retrato da publicidade brasileira.

    Canto de Ossanha – Vinícius de Moraes

    O homem que diz “dou” não dá
    Porque quem dá mesmo não diz
    O homem que diz “vou” não vai
    Porque quando foi já não quis
    O homem que diz “sou” não é
    Porque quem é mesmo é “não sou”
    O homem que diz “estou” não está
    Porque ninguém está quando quer

  32. 33 Marco Centenaro

    É isso aí campeão!

    Aposto que você se emocionou quando vestiu seu primeiro sutiã, não foi? Hein, Hein?

    Larga mão de ser um velho saudosista ranzinza….”Ah….os velhos tempos”

    Você quer continuar fazendo propaganda da década de 80, boa sorte. Com certeza vai surpreender muito os consumidores, o se vai.

  33. 34 Full Planner

    Realmente, se a criação é boa, ao ponto de “criar planejando”, essa sobreposição do Planejamento à Criação pode cercear ótimos trabalhos. Até acho que quem poda mesmo é o cliente (marketing de 25 anos de idade que existe por aí hoje) e não o Planejamento, mas enfim. Voltando, o Planejamento é sim importante hoje porque aqueles caras bons de papo-de-bar, como você colocou, estão cada vez mais escassos. Hoje criativo (de promoção principalmente) tem idéias mirabolantes que não se encaixam em nada com as necessidades de comunicação da marca. É a idéia pela idéia somente. Para prêmio serviria, quem sabe. Para a vida real não. Isso quando não são piores ainda, meros layoutistas e fazedores de títulos, que nem criar a idéia criam. E tenho bagagem das maiores pra poder falar isso. Apesar da sua eterna arrogância e prepotência, sabemos que você é um cara que resolve, mas não dá pra achar que o mercado é cheio de Netos ou outras boas cabeças.

  34. 35 vitorfreitas

    A internet tem desses problemas. As pessoas não precisam olhar no olho de quem estão criticando e acabam se perdendo, os argumentos são engolidos pela modéstia. Muitos comentários incoerentes, infundados e gratuitos. O post, porém, levantou uma polêmica saudável e digna de reflexão. Gostei, Neto.

  35. Neto…

    Sei que já é vacafria… mas concordo contigo em relação às restrições na criação pelo planejamento…

    O problema é que hoje o espaço pra errar, pra piada de mal gosto, ou pra “Efeito desencanes” é muito pequeno…

    Planejamento é uma exigência do cliente. Analisa, planeja, e depois cria com base nisso.

    Espaço pra erro é pequeno, o público é mais exigente, e o cliente quanto mais ganha, menos se permite perder.

    Por fim… desconheço a história de “pesquisa impedir a criatividade”!

    A diferença está em como você aproveita o que você sabe sobre mercado.

    Ah… eu sou do time “meio do caminho” e crio junto com a criação, subsidiando os caras de informações que normalmente somam… e muito!!!

  36. clap clap clap clap clap

    Isso começou no final dos anos 80. Os criativos foram sendo jogados pra escanteio, em prol das pesquisas, do marketing, dos grupos de teste, e um belo dia o cliente já mandava o texto pronto.

    Curioso é que eu NUNCA vi ninguém comentando na rua “nossa, viu como foi ótima a estratégia de mídia da Sadia?” Mas até hoje “vale por um bifinho”, “uma boa idéia”, “bonita camisa, Fernandinho” e outras frases marcantes estão presentes na mente dos brasleiros.

    A Internet é um belo exemplo disso tudo. Temos inúmeros “virais” criados por planejadores. São dignos de pena. Sério, eu chorei quando vi o “Gol Facts” tentando capitalizar em cima do “Chuck Norris Facts”.

  37. 38 kct

    ah, cardoso, falou merda, na boa.

    os criativos nasceram muito depois do texto pronto. e ninguém comenta estratégia de mídia porque ela não é mesmo pra ser percebida pelas pessoas – elas têm mais é que guardar as tais “frases marcantes” mesmo.

    o problema é que hoje em dia é muito mais difícil tornar sua frase marcante, ou qualquer coisa marcante.

    e adivinha? vai piorar.

    agora, viral ruim não é só planejador que cria, não. viral ruim criativo também cria, todos os dias e em muito maior quantidade (até porque a maioria não entendeu que video é video; ele só se transforma num viral se as pessoas quiserem).

    que eu me lembre, virais bons mesmo foram criados por não-publicitários, que resolveram filmar mentos dentro de cocas diet, engenheiros triturando ipods dentro de um liquidificador, músicos dançando sobre esteiras ergométricas…

    :-)


  1. 1 Are you ready? Are you ready? Let’s get it on!!! — Coletivo Sem Papas
  2. 2 Braincast #9 | Episódio 12: Umbigosfera, Safári Urbano, Criação vs. Planejamento | Brainstorm #9

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