132

08Abr08

Quando eu era pequeno, aprendi a falar Rorâima. Assim, com â. Atualmente, a TV fala Roráima. Mas não é só isso. Quando eu era pequeno, eu falava, quando precisava, “Tibet”, assim com t mudo. E agora vejo que todo mundo fala Tibeti, assim com ti. Não acho que isso mude muita coisa. Roraima continua longe para caramba. O Tibet também. Roraima continua soando um lugar inóspito e o Tibet continua oprimidamente pitoresco, se é que isso é possível. O curioso é que não existe um lugar onde você pode checar o que foi que você aprendeu que não vale mais. Você tem que descobrir on-the-fly. De um dia para outro, não é mais como era antes. E um monte de coisas mudou desde o tempo que eu ia pra escola. Um caso clássico é o fato de que Cabral não chegou aqui por acaso. Já tinha ouvido falar que não era mais isso que ensinavam na escola, mas estava curioso para conhecer a nova versão. Outro dia, estudando História com minha filha, descobri como foi a mudança. Foi Lulistica. Ensinam que Cabral saiu de Portugal com destino à India pela rota da Africa e então desviou o caminho para encontrar as terras descobertas por Colombo. Ou seja, não explicam nada. Nah. No fundo não me importa porque Cabral chegou aqui. Nem a pronúncia certa de Roraima, ou o Tibet. Só não gosto dessa insegurança com aquilo que aprendi. Compreendo que o conhecimento seja dinâmico. Mas eu não sou.



3 Responses to “132”  

  1. Penso igual a você. Quando era pequeno tambem falava Tibet(t mudo) e Rorâima.
    Todas as vezes que escuto falarem, tibeTI, doi o meu ouvido.

  2. 2 Clovis

    E não se trata só de pronúncia. Aprendi que José de Anchieta foi santo e que Duque de Caxias foi herói. Até fiz trabalhos para eles em folhas de papel almaço, com decalques e tudo.

  3. 3 gica

    nos tempos do letraset era rorâima mesmo. convenhamos: foneticamente falando, muito melhor…


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