134

12Abr08

Não me importa muito quem matou essa menina. Se foram os pais, se foi alguém de fora. O que importa mais é como essa história se transformou numa enorme novela, numa gigantesca peça publicitária para promover promotor, advogados, jornais, polícia, etc. A imprensa fala dos Peritos com orgulho. Mostram nosso CSI trabalhando, com luvas e aventais. O promotor, expõe o caso em detalhes, revela sua estratégia, não se importa em manter certa discrição. A Globo gasta um bloco inteiro no JN, com animações e gráficos. A menina aparece em fotos e vídeos. Pais, primos, vizinhos, todo mundo vira celebridade. Todo mundo quer saber quem matou. Um juíz, menos exposto ao espetáculo, solta o casal. Milhares de pessoas querem ver os bandidos sendo soltos. Gritam que são assassinos, ofensas. O casal é levado para fazer exame de corpo-delito, como é praxe nesses casos. Eles são escoltados por policiais. Três policiais escoltam a madrasta. Usam uma máscara, cobrindo o rosto. Vendo as máscaras, me pergunto porque um policial esconde o rosto ao escoltar um suspeito. Me ocorre que nessa história, ninguém sabe que são os bandidos. E com policiais com mácaras, ninguém sabe quem são os mocinhos, também.



3 Responses to “134”  

  1. 1 gica

    a desgraça é pop.

  2. 2 Clovis

    Isto é só o começo. Ao descobrir o(s) autor(es), a mídia passará a acompanhar o caso esporadicamente. E quando entrarem em cena os famosos atenuantes da lei, com a soltura pós-pena cumprida, a mídia mostrará o(s) culpado(s) saindo, caminhando na rua, indo ao mercado e etc. A cada época, de tempos em tempos, aparece um Guilherme de Pádua ou uma Richtofen para reviver o passado e nos lembrar de um crime distante.

  3. Os nossos CSI não são iguais aos outros CSI. Com aqueles aventais, parecem dentistas.


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