138

12Mai08

Estou aqui pensando nessa história de prêmios. É manjado dizer que é ridículo o mercado se auto-premiar…isso todo mundo já sabe. Mas fico pensando o que diríamos se dentistas escolhessem a melhor obturação do ano, no Clube dos Dentistas de São Paulo. Ou se existisse um Festival de Cannes Odontológico, com todo aquele glamour. Essa talvez seja a hora que nosso mercado mais entrega a vaidade e o inegável desejo por celebrizar-se. Ainda mais ridículo eu falar disso. Nesse ano participo de três júris, inclusive o de Cannes. Não dá para posar de blazê. Nem para dizer que não dou importância nenhuma para prêmios. Aí fiquei pensando, por que ainda acho que prêmios são importantes? Minha resposta mais honesta é essa: prêmios são importantes, porque nosso ofício não é uma técnica. É subjetivo demais saber o que é bom e o que não é (lembram de Noite Americana, do Truffault? Qual o revolver ideal para a cena fina? Heim? Heim?). Nah. Nosso ofício não é arte. Mas não digam que é apenas técnica como uma…hmmm coroa de pré-molar. Então, quando o mercado se junta e avalia, a sabedoria do grupo (que quase sempre resulta em distorções, a tal unanimidade burra), neste caso específico serve para indicar o que foi feito de bom, o que não vale mais, o que deixou de ser original. Estou certo que essa era a intenção das primeiras premiações. Valorizar o ofício. Por isso o texto do Marcello Serpa, para o grupo de jurados deste ano, foi importante. Isso dito, pessoalmente, preferia ir pra WWDC da Apple, que será no mesmo período de Cannes.



15 Responses to “138”  

  1. 1 Mari Schwarz

    Qual o texto do Serpa?

  2. 2 mneto

    Mari,
    Não foi escrito.
    Foi o que ele disse para os jurados na reunião de quarta.
    Basicamente, que para o anuário deste ano, ele decidiu julgar foto, direção de arte, redação, etc como acontece em outras premiações e como já aconteceu no anuário, anos atrás.
    E tudo isso para valorizar o ofício. Ou os diversos ofícios.

  3. Tenho a impressão que no Brasil existem peças produzidas para o mercado e peças produzidas apenas para festivais. E que o número de peças produzidas para o mercado que chegam a ser premiadas nos festivais é muito pequeno. Infelizmente.

    Acho que nosso trabalho deve ser valorizado e premiado, desde que não sejam fantasmas.

  4. 4 renatabokel

    publicitários nao sao mais artistas sao homens de negocio…. talvez – nao sei – to pensando alto – as premiações do ano também tenham que se adaptar a essa realidade… bom enfim, como vc nunca concorda com nada do que eu digo… fico esperando o esporro.

  5. 5 mneto

    nah.
    você tem razão.
    acho mesmo que as premiações precisam se adaptar.
    disse isso hoje pra latinspots.
    tá tudo errado na maneira de premiar.

  6. Adaptações na dose certa.
    É so não resolverem aliar a finco a propaganda e os resultados (imediatos principalmente).
    Imagina, varejistas a la casa bahia arrebatando quase todos os prêmios?! rsrsrsrs!
    Continuemos com nosso viés artístico.
    Artistas capitalistas! :P

  7. 7 mneto

    Mateus
    Não acho que as mudanças devem passar por inclusão de resultados não. Não que eles não sejam importantes, mas acho que o principal, nos prêmios que privilegiam criação, seja rever o processo de inscrição e a compartimentalização. Não faz mais sentido avaliar peças e campanhas por categoria.

  8. Mas ai também incluiriamos as fantasmas?
    São putas campanhas que, por conservadorismo do cliente, ou da agência, ou sei la por que ou por quem, são vinculadas somente para abocanhar prêmios.
    São exemplos de criatividade mas também reflexos conservadores do mercado.
    E nesse pensamento, chegas-se naquela discussão que rola no coxa creme, de mudar mercado, mudar agências, mudar formatos.. (isso, aprofundando beeem no assunto mesmo).

    Liguei essas duas discuções porque ACHO

  9. CONTINUAÇÃO

    Liguei essas duas discuções porque ACHO que as duas coisas estão diretamente ligadas.
    Evoluir o mercado deve refletir nas criações e logo nas premiações. Resultados serão consequencia disso. O caso da sua agência e o Ipod no palito, para mim, é isso,
    Daí a frase “Ser artistas sim. Artistas capitalistas”.

    Viajei longe demais?! rsrsrsrs

  10. 10 k.

    não li os comentários acima… preguiça megamaster…
    mas eu, como diretor de arte, acho que a premiação é justa…
    fazemos um trabalho autoral… colocamos muito da gente no nosso trabalho… é o nosso gosto… é o nosso senso de estética… é claro que existem referências… mas sempre tem um dedo nosso…
    considero cannes o prêt-à-porter da publicidade… algumas coisas vemos na rua… outras não…
    sei lá… deixa pra lá…

  11. 11 Age.

    isso sem falar dos premios que só servem pros organizadores faturarem uma grana.

  12. 12 Panhoca

    Prêmio é igual desfile de moda. O que está nas passarelas nem sempre vai pra rua. Mas mostra uma tendência. Nunca vi fantasma ruim levar prêmio.

  13. Panhoca expôs um ponto de vista que, confesso, nunca havia passado pela minha cabeça, mas que faz certo sentido: peças fantasmas como polaroids de tendências que um dia chegarão ao pret-à-porter. Quanto a prêmios, eles deveriam ser vistos como estímulos para o fomento da criação de produção criativa, jamais como um fim em si. Mas, como dizia aquele filosófo bigodudo, somos humanos, demasiadamente humanos…

  14. pra mim, uma opção seria o festival de cannes funcionar como olimpiadas. os caras eleitos como os melhores vão lá, recebem briefing e tem que fazer a porra. e aí são avaliados.

    como acontece com os youngs creatives.

  15. jampa
    adorei.
    pessoalmente, eu mudearia pra Roma e faria no Coliseu, campanha x campanha. Ao derrotado, leões.
    Isso sim seria glamoroso.


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