146

17Jul08

Mesmo que as 15 Comissões do IV Congresso Brasileiro de Publicidade não tivessem concluído de maneira tão séria seus trabalhos, mesmo assim, o Congresso teria valido à pena. A Comunicação, uma das carreiras mais procuradas das Universidades, precisava de uma injeção de auto-estima como essa, para mostrar que não é o vilão de plantão que, as vezes, parece ser. Afinal, uma geração inteira de jovens, terminou o segundo grau assistindo escândalos políticos orquestrados por supostos publicitários e como se não bastasse, ainda se cogita cercear o direito de anunciar para diversas categorias de produtos. Efetivamente, nossa profissão andava precisando de uma força. E que força melhor do que a oportunidade de poder assistir as principais lideranças da indústria da comunicação, gente séria, gente polêmica, discutindo e debatendo como Categoria. Temas como a censura comercial, as concorrências abusivas, a liberdade de expressão, o futuro. Tudo organizado, discutido, aprovado e registrado. No meu caso, foi uma honra e um prazer participar de um momento histórico da nossa profissão, como Secretário Executivo da Comissão de Comunicação Integrada, presidida pelo Eduardo Fischer, com o Julio Anguita como relator. Nossa indicação, em resumo, foi a criação de uma cadeira de Comunicação Integrada nas Universidades, que se utilize métricas específicas para os projetos de Comunicação Integrada e que se remunere por fee de sucesso, as empresas envolvidas em uma campanha Integrada.Talvez os resultados das propostas não entrem no ar na segunda-feira no horário nobre, que é como nós publicitários estamos acostumados. Mas os primeiros passos da mudança estão aí, definidos de maneira ampla e discutidos democraticamente. Cabe a nós mesmos, insistir para que essas conclusões se transformem em praxis.

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Isso dito, quero acrescentar uma coisinha. Por que será que Promo tem tanta dificuldade para se estabelecer como disciplina? Eu tenho uma teoria. Existe uma geração inteira de profissionais de promoção sem nenhuma formação específica. Não são sequer publicitários. Então caminham como zumbis, perdidos ou em direção oposta ao mercado. Falta-lhes percepção para as mudanças, falta-lhes a compreensão de que não existem mais barreiras entre as disciplinas. Falta-lhes a maldita ambição. Se comparam umbigo à umbigo, vêem seus negócios como fins em si mesmo, de maneira tacanha e com horizontes curtos. Exemplo: outro dia fui convidado a participar de um evento organizado por uma das organizações do setor. Uma organização que reúne diversos amigos que fiz nesta profissão, é verdade. Mas ficou ali, demonstrado a miopia de nossa área. O evento começou com uma apresentação de meia hora sobre – acredite se quiser – os lamás. Se você não sabe o que é um lamá, não espere que eu explique, mas olha, prepare-se, porque pelo que tentaram me convencer, lamás estão revolucionando o mundo. Mas não pense que terminou por aí. O sofrimento continuou com uma palestra de uma hora versando sobre – acredite se quiser, de novo – brindes. Como assim? É assim. Uma visão antopológica, ética, filosófica mesmo, das canetinhas com logotipo do cliente. É isso então que é Promo? Espelhinhos para índios? Nada contra a profissional que fez a palestra. Se a ela o assunto seduz, muito bem, que escreva um livro. Mas daí a ser apoiada por uma organização que se pretende séria, daí a imaginar que brindes ainda têm alguma relevância nos tempos de hoje, ora por favor. E o pior, mais tarde soube que essa foi a palestra apresentada em Cannes, com o aval dessa organização. Seria cômico se não fosse trágico. Trágico. Enquanto o designer Fred Gelli, da Tactil, fez uma apresentação brilhante em Cannes sobre desgin sustentável, absolutamente integrada aos novos tempos e às preocupações com o planeta, colocando o Design Brasileiro muito a frente dos principais centros, nós, profissionais de Promo, estimulamos a distribuição de bugigangas como atividade de marketing. Que vergonha. Aí vejo a tese da Comissão de Marketing Promocional. Estou seguro que foi fruto de trabalho e discussão. Mas convenhamos, qual o benefício prático em certificar agências de marketing promocional? Ou empenhar-se para garantir a autoria de uma idéia (fato que para o qual já existe legislação específica e pior, sabemos que por razões políticas raramente se vai às vias de fato)? Aceitar que se façam concorrências com 5 agências? Será que é isso mesmo que necessitamos? Que oportunidade desperdiçada, na palestra de Cannes e aqui, para sermos vistos com mais seriedade por nossos pares. Notei que na tese de criação, Nizan citou todas as disciplinas, menos a nossa. Falta para Promo lideranças brilhantes. Que entendam que nosso negócio, o negócio da Promoção, mudou. Somos o elo perdido entre as agências de propaganda e o consumidor fragmentado. Cabe a nós preencher uma lacuna de integração que nenhuma outra disciplina será capaz de cumprir, e isso só se dará através de investimento em criação. Só a competência criativa fará com que tenhamos relevância como disciplina/business/categoria. Só lideranças brilhantes nos arrancam do anonimato. Que me desculpem os amigos que por ventura se sintam ofendidos, mas quem não entender isso, vai continuar distribuindo brindes e anunciando em lamás.



10 Responses to “146”  

  1. Neto,

    Acho que essa percepção que o mercado tem de Promo acaba refletindo tb nos estudantes, o que eu percebo é que existe um certo preconceito em relação a atividade de Promo, parecido como tem em relação ao Varejo. Os novos criativos hoje em dia só querem saber do glamour das grandes agências e da propaganda, o dia que eles entenderem que tudo é uma coisa só, talvez isso mude. E acho que cabe mostrar isso ainda na faculdade.

    Abs
    Danilo

  2. Danilo,

    Em minha experiência, a faculdade não está sendo capaz de mostrar a realidade do mercado de promo. Na verdade, não condiz com a realidade de todo o mercado de comunicação.

    O Neto disse “quem não entender isso, vai continuar distribuindo brindes e anunciando em lamás.”

    Num aspecto mais amplo, “quem não entender isso, vai continuar formando publicitários que pensam (?) que comunicação é print, outdoor e tv.

    Abraço!

  3. 3 Leandro Lima

    Belo texto.

    Realmente, as universidades não formam profissionais de promoção. Na verdade, não se aprofundam em nenhuma das áreas da comunicação. No máximo, fazem você sair de lá um Redator ou Diretor de Arte. No meu caso, já queria ser Diretor de Arte antes mesmo da faculdade.

    Tive disciplinas de Mkt direto, Mkt Varejo, CRM, Merchandising (que é onde abordavam Promo, na cadeira errada), RTVC e outras. Todos que saem da faculdade querem ser Popstars da propaganda. Acredito até que esse desejo tenha aumentado depois da popularização do Justus. Enfim, mas na minha época, há 5 anos, a maioria decidiu ir para o marketing, ou por acharem não ter potencial para serem criativos, ou por ver o mercado de comunicação simplesmente como o above the line e considerá-lo falido, ou mesmo por achar que a opção cliente era onde melhor se encaixava.

    No Rio, onde me formei, mal existem agências BTL. Estagiei e trabalhei somente em agências de propaganda, jornal, revista e afins.

    Tomei o caminho normal da profissão e, cá estou hoje em SP. Já cheguei por aqui em uma agência de Promoção, a Motivare. Pela experiência que nunca tive de promoção, abri minha cabeça às formas de comunicação, muito mais amplas do que jornal e revista, como eu havia sido moldado. As mudanças foram tantas e abriram tanto o horizonte que vi que qualquer coisa fora do tradicional anúncio de revista, jornal, comercial, pode ser promocional. Comecei a aumentar minha bagagem promocional indo pra uma agência de Eventos e Endomarketing, agora estou trabalhando com MKT Cultural.

    Da experiência que adquiri, vejo que Promoção é a área mais completa da comunicação. Normalmente o elo de uma comunicação integrada.

    Abraço,

  4. 4 Clovis

    No seu post de número 144 eu falei sobre despreparo e inaptidão.

    Aqui o caso é o mesmo. Só que você pode somar também a questão do desinteresse. Há muita gente desinteressada, trocando horas de trabalho fácil por um salário no final do mês, enquanto fica o dia inteiro batendo papo no msn combinando baladinhas com a galera.

    São os mesmos que criam mal, planejam mal e atendem mal, sem compromisso com absolutamente nada. Pra piorar, nos próprios clientes, instalou-se a cultura da aprovação via niveis hierárquicos.

    Ou seja, você cria um puta projeto e é recebido numa multinacional por um “profissional” muito despreparado para esta função. Lógico que estou dramatizando um pouco, mas este é um fato que se repete cada vez mais e mais, seja em promo, marketing direto, design ou até mesmo na “cereja do bolo” que é advertising.

  5. 5 Julia

    Neto,
    Concordo com você e fico feliz em saber que você tenta alterar esse cenário.
    Parabéns!

    Ps! Faltou falar o que é um lamá :P

  6. 6 Neto

    Eu me recuso a explicar o que é um lamá. :)

  7. 7 france

    Mas o q é lamá?! Pelo amos de Deus!

  8. 8 Seu Madruga

    Lama (budismo)
    Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
    (Redirecionado de Lama (mestre))
    Ir para: navegação, pesquisa

    Lama em tibetano significa mestre, guru.

    É o professor espiritual, que ajuda seus alunos, dando ensinamentos e indicando práticas apropriadas para remoção de obstáculos e reconhecimento da natureza essencial de sua mente.

    Não há restrição de sexo para ser um lama, assim, encontram-se tanto lamas homens como mulheres nas diferentes escolas do budismo tibetano.

    A observância e respeito ao mestre constitui uma prática específica do budismo que é guru ioga, consiste na meditação em que se visualiza o mestre como o próprio Guru Rinpoche.

  9. 9 acordabrasil

    Excelente post. Parabéns. Voltamos com o http://www.acordabrasil.wordpress.com. Entre e faça-nos uma visita !!!

  10. O despreparo das faculdades é uma vergonha na verdade, eles meio que te jogam na mão e se vira, e você realmente não tem opção.

    No Brasil existe um monte de gente com potencial e poucas oportunidades, e muita gente la no topo filho de empresário que não sabe fazer nada.

    Claro que para toda regra existe sua excessão, porém infelizmente no brasil as coisas ainda são assim.

    Enquanto não houver vontade e interesse misturado com o prazer de cada vez mais aprender e a consciência que vai haver sempre uma coisa nova para nós aprendermos, o brasil e o mundo vão continuar assim.

    Aplaudindo Roberto Jeferson


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