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Vamos falar sobre Olimpíadas. Fazer um balanço. Carlos Arthur Nuzman deu sua declaração sobre a performance do Brasil em Pequim 2008. Sua opinião é importante, porque sinaliza o que pode mudar nos anos que virão. Segundo ele, nossa performance melhorou. Não sei se ele viu a mesma Olimpíada que eu. Na que eu vi, só pioramos. Tivemos menos ouros que na última e a mesma quantidade de medalhas de 15 anos atrás. Por que isso importa? Porque nossa delegação e o investimento nesses atletas sai do seu e do meu bolso. A conta é a seguinte: cerca de 600 milhões foram investidos. Cada medalha, portanto, custou cerca de 50 milhões. Isso contando com a do Cielo, que tecnicamente, teve pouco ou nenhum investimento do Estado. Alias, por essa conta, deveríamo é demitir o Nuzman e colocar o pai do Cielo no lugar. Esse sujeito sim, sabe como ganhar medalhas por uma pechincha. O fato é que somos medíocres. E se você está feliz com o 23º lugar que nos deixou na frente da Argentina, pense de novo. Não tenho dados precisos, mas tenho certeza que as medalhas argentinas custaram bem mais barato. É ilusão achar que podemos reduzir o custo-por-medalha reduzindo nossa delegação ou focando em menos esportes. O esporte (olímpico ou não) é uma vaca de tetas fartas. Só nos resta apostar num rouba mais faz. Pressionar para que os investimentos sejam mais inteligentes, mas principalmente, precisamos de uma nova postura de nossos atletas. Volto para a Argentina: entre Brasil e Argentina existe, sim, uma diferença de postura perante a vida e o mundo. Ou você acha que nós brasileiros levantaríamos tão rápido do tombo político/econômico que eles levaram em 2002? Nossa sorte é que a Argentina é só uma cidade. Duas ou três no máximo. Nossa sorte, é que a população da Argentina cabe em São Paulo. Com a atitude que os hermanos têm demonstrado nos anos recentes, com a garra que demonstram ou no futebol ou batendo panelas, é nossa sorte que sejam poucos. Se fossem muitos, já teriam nos conquistado. Estaríamos, brasileiros, ocupando sub-empregos porteños, mais ou menos como fizeram com os paraguaios e bolivianos. Ok. Sei que falar bem de argentinos, neste país, é pedir para apanhar (vide o Idelber). Mas tenho que insistir na comparação, porque não é só estrutura que nos falta. Falta humildade (ok, também falta para argentinos). Falta vergonha na cara. Falta verde e amarelo na escola. Falta que esses meninos, do futebol, do volei de praia, do basquete, do judô, do salto com vara, lembrem que têm uma responsabilidade muito maior e não é com a gente, ou com o Galvão. É com eles mesmos. Falta parar de chorar por tudo (e como é duro fazer um argentino chorar!). Ser vítima de poucos recursos, “ir treinar sem dinheiro pro ônius”, virar especial no jornal nacional é hoje mais importante que ganhar. “Prata com gosto de ouro”. “Bronze com gosto de Prata”. “Um nobre oitavo lugar”. Essas expressões deveriam ser banidas da mídia, porque não estão mais alinhadas com as exigências do mundo de hoje. Por essa nossa condescendência atávica estamos perdendo o trem do BRIC, que vai virar RIC (ou IC), justo porque a gente acha que “como está, já está bom”. Basta de celebrizar a derrota e vangloriar o sofrimento.
De tudo que eu ouvi, fico com a frase do maior chorão de todos. O Oscar:
- Tá chorando? Aprende a fazer ponto chorando.
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Neto,
Não estou mais no Brasil há algum tempo, mas é lógico que gostaria de que nosso País estivesse melhor. Falta realmente o verde amarelo na escola, veja o exemplo do basquete, onde o Kobe Bryant que ganha mais de 20M$ por ano, foi para Beijing para “ganhar ou ganhar!”.
Aqui no Canadá, foi aprovado, com duras penas na semana passada, um projeto para investir (não se assuste!), 30M$ por ano até 2012 para melhorar o resultado em Londres. E eles esperam dobrar o número de medalhas, ou seja 36 no total. Fazendo a sua conta, vai dar 3.3M$ por medalha (mais de 10 vezes mais caro no Brasil!!), ou seja, porque a diferença? Todos nós sabemos…Quem ficou rico ou ainda mais rico….
O Brasil precisa melhorar, principalmente no que é ser Brasileiro. Como não sou o Oscar, vou ficar só chorando….
Concordo que no mundo atual não há lugar para o segundo lugar, que dirá oitavo.
E momentos difíceis qq um tem, a glória é vencê-los.
Também acho que falta vergonha na cara.