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Gosto de documentários sobre o espaço.
Outro dia assisti a um sobre a Apollo I, a primeira das Apollos que nunca chegou sequer a decolar.
Um curto-circuito nos painéis, durante uma simulação, provou um incêndio que matou os três tripulantes.
Entre eles, Gus Grissom, um dos astronautas originais da NASA no projeto Mercury (aquele de The Right Stuff).
Faz um tempo vi outro documentário, sobre o projeto Mercury e Gus já havia (como é o clichê?) “flertado com a morte” ao realizar o segundo vôo sub-orbital da NASA à bordo do Liberty Bell 7.
Numa malfadada operação de resgate, a nave afundou, quase levando Gus para o fundo do mar. Ou seja, Gus Grissom parecia indestrutível, mas naquela simulação da Apollo I, num segundo, acabou.
Estou lendo sobre a morte, veja só que coisa mórbida.
O livro é De Frente para o Sol, de Irvin Yallon (o mesmo de Quando Nietzsche Chorou) e trata da angústia da morte que, em maior ou menos escala, nos afeta a todos.
Não sei o quanto a angústia da morte me afeta.
Alias, nem sabia que a morte estava em tantos lugares, até ler o livro do Yallon.
Depois de ler, começo a desconfiar que toda a angústia gerada por fracasso, seja profissional ou social, é morrer um pouco.
Fracassar leva traz uma sensação de perder tempo, perder tempo da vida que, consequentemente, nos aproxima da morte.
Então, mortes assim repentinas, como a de Gus Grimssom são terríveis.
A morte não deveria acontecer de um segundo para outro.
Nenhuma morte deveria ser assim.
A morte deveria ser sempre lenta.
Deveria ser como naquele conto de Woody Allen, onde o personagem desafia a morte para um jogo de xadrez e ganha. Aí, todas as noites, conquista mais um dia de vida, no tabuleiro.
Toda gente deveria ter essa chance: um certo tempo para abandonar a vida.
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bonito, neto! mas acho que prefiro morrer de uma vez só… acho que gera uma frustração muito grande imaginar que cada fracasso é uma “mortinha”. Acho…
Passei por essa citação minutos atrás e achei conveniente por alguma razão:
“Why should I fear death? If I am, then death is not. If death is, i am not. Why should I fear that, which can not exist when I do?” Epicurus
Você escreve bem, moço…
Parabéns!
“… toda a angústia gerada por fracasso seja profissional ou social, é morrer um pouco…” Acho que só morremos quando nos prendemos aos aspectos negativos do fracasso, mas quando usamos o ‘erro’ como um aprendizado, ganhamos mais força – ou no mínimo recuperamos o ânimo – para continuar vivos… Acho sim que morremos aos poucos quando deixamos de seguir aquilo em que acreditamos. O maior medo as vezes está no viver e não no morrer.
BTW adorei o novo visual do NCPM
Muito bom o post.
O nome não ajuda, mas em outro livro (O carrasco do amor), o Yallon fala sobre as ilusões que nós criamos para enfrentar essas coisas que são tão difíceis de encarar: que somos sós, que não há sentido para a existência, que não somos especiais ou únicos, que envelheceremos, que morreremos.
Mentiras sinceras não me interessam.