164

21dez08

Somos um povo tolerante.
Veja o governo militar por exemplo.
Somos uma das poucas Nações que aguardou pacientemente que os militares fossem embora.
Fizemos a transição para a democracia quando e como os militares quiseram.
Então somos tolerantes.
Taí o Lula, com 80% de popularidade, num governo comprovadamente corrupto.
Somos tão tolerantes, que uma menina ignorante pixa “abaixa a ditadura” (sic)
e tem gente que a defende.
Gente que diz que ela não merece nenhum tipo de punição.
Carolina já tem quatro flagrantes por destruir patrimônio alheio.
Não é artista, não é talentosa, não é nada.
É só uma jovem fora de controle, externando sua ignorância.
Mas, como somos tolerantes, como somos filhos da repressão, não podemos admitir a punição vinda do estado.
Ontem, assistindo à reprise do programa Saia Justa, ouvi Maitê Proença desfiar seu novelo de tolerância com a jovem Carolina. “Onde já se viu”, dizia ela, “punir uma jovem que quer apenas se expressar. É só pintar o que ela sujou e pronto”, insiste a artista-apresentadora-escritora.
Soninha também defendeu Carolina.
Não há medida. Não há limite. Nossa tolerância, traumatizados que somos, nos faz cegos para as pequenas contravenções.
As pequenas violências do dia-a-dia sempre encontram uma explicação pseudo-sociológica.
Ela é jovem, então pode. Ele é pobre, então pode.
E assim, nessa área cinzenta de tolerância às pequenas contravenções, florescem os crimes maiores, aqueles que não somos capazes de combater não por tolerância, mas por incompetência.
E aí, como não podemos admitir a punição vinda do estado, ficamos felizes quando a punição ocorre “por acaso”.
Porque assim, sim, podemos ser verdadeiramente intolerantes, veja que contradição.
Da própria Maitê Proença, no mesmo programa de ontem, referindo-se ao ex-namorado de Suzana Vieira: “Cheirar cocaína das duas as oito? Tem mais é que morrer mesmo. É ótimo que essa história tenha acabado assim.”
Não dou nenhuma importância especial à Maete Proença.
É apenas uma figura pública que conseguiu, em menos de meia hora, em rede nacional, mostrar exatamente como somos, nós brasileiros: tolerantes, contraditórios e por isso mesmo, intolerantes.



5 Responses to “164”  

  1. mandou muito bem Neto. Adorei o post!

  2. Vi esse mesmo programa e foi interessante ver que como ela foi uma ostra que defende pontos de vista como uma menina mimada… Bastou reparar como as demais apresentadoras ficaram sem graça com tais asneiras proferidas…

  3. 4 anna

    you rocks. e eu não suporto nada no que a maitê fala… me perdoem, nunca sai nada decente.

  4. são atitudes como a dessa garota que mostram como o povo está despreparado para formular qualquer tipo de julgamento. Não conseguem visualizar as consqüências de um “pqueno ato” como a pixação e depois reclamam da falta de segurança, dos vândalos nas ruas (os mesmos que de simples vÂndalos tornam-se os próximos assaltantes…)

    Sao essas mesmas pessoas que avaliam positivamente, com 80% de aprovação, o governo corrupto que Lula está comandando.

    Só iremos evoluir como nação quando passarmos a aplicar julgamentos corretos, sem a “comoção” idiota como ocorre no caso citado acima…


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