182

26Jun09

Não consegui encontrar no Google.
Deve ter sido o que? 74, 75.
Eram sucesso numa época em que não havia nem Disney Channel, nem internet nem TV a cabo.
Mas a fama já vinha do desenho animado, que passava na Globo.
Jackson Five em desenho animado, quem diria.
Pedi para meu pai me levar, mas não tinha muita idéia do que seria o show, com pouco mais de 9 anos.
O Anhembi era escuro e chegamos no mesmo fusca que, uma vez, furou uma barreira de soldados da cavalaria, em 68.
No porta mala, tinha sempre um tapete persa velho, cheio de óleo, que ele usava para entrar embaixo do carro para ver vazamentos.
Lembro dos sapatos plataforma, das calças bocas de sino psicodélicas, entrando no pavilhão de exposições (você não acha que colocariam os Jackson Five no teatro Elis Regina, não é mesmo?).
Sentamos no persa, lá no fundo. Longe da agitação, que não é coisa de criança, mas perto o suficiente do palco para sentir a vibração enquanto preparavam os instrumentos.
Naquele tempo, estrelas ficavam logo ali, ao alcance das mãos, quando se dignavam a vir ao Brasil.
Não era como hoje, que você vai a um estádio para assistir o show dublado e pelo telão.
Lembro dos Jackson Five entrando no palco.
Lembro da falta de ar de empolgação, de ver todo mundo dançando.
Lembro do meu pai me colocando no ombro.
Lembro que as roupas deles eram prateadas e azuis.
Todo mundo só olhava para o Michael, que já não era mais uma criança, mas que com sua voz aguda jogava os irmãos para segundo plano.
Daquela noite no Anhembi até hoje, tanto tempo passou.
Michael teve sua ascensão e queda.
Quanto mais ficava branco, pior ficava, que paradoxo.
Ultimamente era uma imagem assustadora, ideal para tablóides de escândalo.
Michael Jackson envelheceu mal e talvez tenha morrido ainda em tempo de não se destruir ainda mais.
Penso nas minhas filhas me arrastando para ver Jonas Brothers, no telão do Morumbi.
Triste fim de uma era.



8 Responses to “182”  

  1. 1 Z

    Esse cara redefiniu timbre, dança, produção musical, show, videoclipe, efeitos especiais…
    Um monstro.

    Belo relato. Queria ter uma lembrança dessas com o meu pai.

  2. Queria ter uma lembrança dessas na vida.
    Michael Jackson se foi e levou meu sonho de muleque de assistir um show do mito musical da minha época com ele.

    Hj o Pop morreu.

  3. 3 T

    Nào me conformo que nao o vi ao vivo. Iria dar um jeito, como fosse, pra ir até Londres.

    UMa pena

  4. Belo retrato de um tempo que, não só pelas condições físicas, metafísicas e mercadológicas, não irá retornar. Ainda bem que nossas memórias são normalmente imunes a modismos e pesquisas de mercado.
    Valeu, Neto, por compartilhar este momento conosco.

  5. No Jornal da Globo de ontem foi mostrado um trecho desse desenho dos J5:
    http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MUL1208550-16021,00-A+ANALISE+DA+CARREIRA+DE+MICHAEL+JACKSON.html

    Fica também um sentimento estranho de que por ele ter morrido numa época de muita fibra óptica, será tratado como todo bom arquivo temporário pelo maioria: Um boom agora… e NEXT em 3 dias.

  6. 6 vanessa

    Emocionante. A história de um artista que faz parte da nossa. Acho que este é o verdadeiro poder do rei do pop. =D

  7. Muito bom Neto!
    :)

  8. 8 knitterman

    Gostei muito do texto, Neto.
    Nunca fui a um show de Michael. Não posso ir mais. :-(
    Estou tão triste esses últimos dias… Não consigo parar de pensar nele.
    Que descanse em paz. Sentirei falta de saber que Michael está no mundo.


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